De acordo com o relatório o Brasil precisa levar em conta as diferenças regionais no desenvolvimento de ações de adaptação e mitigação e de políticas agrícolas, de geração de energia e de abastecimento hídrico para essas diferentes regiões


clima no Brasil nas próximas décadas deverá ser mais quente - com aumento gradativo e variável da temperatura média em todas as regiões do país entre 1 ºC e 6 ºC até 2100, em comparação à registrada no fim do século 20.



No mesmo período, também deverá diminuir significativamente a ocorrência de chuvas em grande parte das regiões central, Norte e Nordeste do país. Nas regiões Sul e Sudeste, por outro lado, haverá um aumento do número de precipitações.

As conclusões são do primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1) do PBMC - Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, cujo sumário executivo foi divulgado nesta segunda-feira, 09, durante a Conclima, 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais. Organizado pela FAPESP e promovido com a Rede Brasileira de Pesquisa e Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) e o INCT-MC - Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas, o evento ocorre até a próxima sexta-feira, 13, no Espaço Apas, em São Paulo.

De acordo com o relatório, tendo em vista que as mudanças climáticas e os impactos sobre as populações e os setores econômicos nos próximos anos não serão idênticos em todo o país, o Brasil precisa levar em conta as diferenças regionais nodesenvolvimento de ações de adaptação e mitigação e de políticas agrícolas, degeração de energia e de abastecimento hídrico para essas diferentes regiões.

Dividido em três partes, o Relatório 1 - em fase final de elaboração - apresenta projeções regionalizadas das mudanças climáticas que deverão ocorrer nos seis diferentes biomas do Brasil até 2100, e indica quais são seus impactos estimados e as possíveis formas de mitigá-los.

As projeções foram feitas com base em revisões de estudos realizados entre 2007 e início de 2013 por 345 pesquisadores de diversas áreas, integrantes do PBMC, e em resultados científicos de modelagem climática global e regional.

"O Relatório está sendo preparado nos mesmos moldes dos relatórios publicados pelo Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas [IPCC, na sigla em inglês], que não realiza pesquisa, mas avalia os estudos já publicados", disse José Marengo, pesquisador do Inpe - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e coordenador do encontro.

"Depois de muito trabalho e interação, chegamos aos resultados principais dos três grupos de trabalho [Bases científicas das mudanças climáticas; Impactos, vulnerabilidades e adaptação; e Mitigação das mudanças climáticas]", ressaltou.

PRINCIPAIS CONCLUSÕES
Uma das conclusões do relatório é de que os eventos extremos de secas e estiagens prolongadas, principalmente nos biomas da AmazôniaCerrado e Caatinga, devem aumentar e essas mudanças devem se acentuar a partir da metade e no fim do século 21.

A temperatura na Amazônia deverá aumentar progressivamente de 1 ºC a 1,5 ºC até 2040 - com diminuição de 25% a 30% no volume de chuvas -, entre 3 ºC e 3,5 ºC no período de 2041 a 2070 - com redução de 40% a 45% na ocorrência de chuvas -, e entre 5 ºC a 6 ºC entre 2071 a 2100.