No ensino médio, só 1 em cada 10 tem nível adequado em matemática



SÃO PAULO - A matemática é, literalmente, um problema na vida da maioria dos estudantes que concluem a vida escolar no Brasil. Apenas um em cada dez alunos do 3º ano do ensino médio, ou seja, o último antes do ingresso na universidade, teve desempenho adequado na disciplina, considerando dados de 2011. Relatório do Movimento Todos pela Educação (veja o gráfico), divulgado nesta quarta-feira (6), revela que o percentual de 10,3% não só ficou muito abaixo da meta de 19,6% como piorou em relação aos 11% alcançados em 2009. A situação no 9º ano do ensino fundamental também é desanimadora: apenas 16,9% dos estudantes apresentaram nível de aprendizagem adequado em matemática, bem menos do que os 25,4% esperados.





O relatório “De Olho nas Metas” mostra que também estamos a passos lentos em relação ao ensino de língua portuguesa. O percentual de estudantes do 3º ano do ensino médio que apresentaram aprendizado adequado da disciplina foi de 29,2%, abaixo da meta de 31%. Em relação ao ensino fundamental, os percentuais registrados entre os alunos do 5º ano e do 9º ano foram respectivamente, de 40% e de 27%, ainda aquém da expectativa de 42,2% e 32%.
O quadro é um pouco melhor no início do ensino fundamental. O percentual dos alunos da 5ª série com nota adequada em matemática foi de 36,3%, índice superior à meta de de 35,4%. Em língua portuguesa, o percentual foi de 40% contra a meta de 42,2%.

Metas

Os indicadores educacionais sobre o nível de aprendizagem adequado fazem parte de uma das cinco metas estabelecidas pelo Todos pela Educação em 2006 - toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola; toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos; todo aluno com aprendizado adequado ao seu ano; todo jovem com ensino médio concluído até os 19 anos; e investimento em educação ampliado e bem gerido.

As metas devem ser atingidas até 2022, ano do bicenténário da Independência do país, mas para verificar se, até lá, os esforços estão surtindo efeito, o Movimento - formado por educadores, organizações sociais, empresas, especialistas em educação, pesquisadores, empresários e gestores públicos - criou metas para serem atingidas anualmente.

“Infelizmente, nossos índices educacionais ainda nos fragilizam quando nos comparamos a outros países, revelando um descompasso histórico que precisa ser combatido com ações articuladas e investimento adequado”, diz o texto do relatório, que é baseado em dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação, e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O relatório destaca ainda que o acesso à escola ficou abaixo das expectativas. Em todo o país, a conclusão é que 92% das crianças e jovens de 4 a 17 anos estão estudando, enquanto a expectativa para 2011 era que 94,1% estivessem matriculados. O percentual indica que 3 milhões crianças e jovens estão fora da escola no Brasil.

Ensino médio: só metade completou

Os indicadores para o cumprimento da meta quatro, que trata da conclusão dos ensinos fundamental e médio na idade correta, também não vão bem. Em 2011, 64,9% dos estudantes de 16 anos haviam completado o ensino fundamental completo, ante uma meta de 72,9%. O universo de jovens de 19 com o ensino médio completo, em 2011, foi de 51,1%, abaixo da expectativa de 53,6%.

O relatório não informa sobre os recursos para a educação, pois os dados sobre investimento em educação básica em relação ao PIB em 2011 não haviam sido divulgados até a conclusão do estudo. Já a meta que prevê alfabetização de todos os estudantes até os 8 anos só poderá ser avaliada com detalhes após a divulgação dos resultados da Prova ABC, aplicada a 54 mil alunos dos dos 2º e 3º anos do ensino fundamental em 1.200 escolas públicas e privadas de 600 municípios do país.


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