Provavelmente nenhum objeto simboliza tão bem a cultura do desperdício como a sacola plástica: um produto derivado do petróleo, fabricado e transportado para ser utilizado uma única vez e acabar em aterros sanitários, onde não se degrada naturalmente.
No entanto, às vezes a obsessão pelo assunto pode desviar nossa atenção de problemas ambientais mais importantes. Nesta seleção de dicas do TreeHugger refletimos sobre a importância dessa questão e analisamos a resposta de países latino-americanos.
Saiba mais sobre o problema das sacolas plásticas
foto: divulgação
Nos últimos anos, só ouvimos falar que as sacolas plásticas são uma grande ameaça ambiental e que é preciso evitá-las. Várias cidades do mundo (inclusive na América Latina) já proibiram sua
distribuição e uso para embalar compras.
É verdade que as sacolinhas plásticas não são biodegradáveis, que demoram centenas de anos para se decompor e que geram muitas das partículas da grande mancha do Pacífico. Entretanto, elas não representam a maior parte do lixo de uma residência.
Além disso, a redução de seu uso também representa desvantagens para o meio ambiente: os sacos de papel requerem mais energia para sua produção, e em locais onde as sacolas plásticas foram proibidas, a população recorre a outros tipos de sacos para recolher o lixo, mais grossos e difíceis de decompor que os sacos finos de polietileno. Diante disso, surgiram algumas vozes dissonantes em relação a esta questão.
Em um artigo publicado no jornal The Guardian desta semana, o jornalista Leo Hickman destaca um ponto interessante: "ou estamos perdendo tempo em procurar formas de proibir as sacolas plásticas, ou estamos nos distraindo com um problema ambiental relativamente menor. É como 'ordenar os assentos no meio do naufrágio do Titanic', segundo descreveu o cientista James Lovelock".
Vamos falar às claras: não se trata de desprezar tudo o que foi dito até agora e usar sacos plásticos à vontade. Promover a redução do lixo usando uma sacola reutilizável é uma ação pertinente, mas não é tudo. Problemas como a mudança climática, o esgotamento dos recursos e o crescimento da população, para citar alguns, representam um desafio muito maior para a humanidade que as sacolas plásticas.
Durante muitos anos, alimentamos a ilusão de que abandonar as sacolas de plástico seria “um pequeno passo que faz a diferença”. Na verdade, este passo conduzir a passos maiores, e infelizmente, conformar-se em usar uma bolsa de tecido no supermercado não é suficiente.
Mas não entre em pânico! Ser responsável com o meio ambiente é algo que se aprende dia a dia. OK, sua sacola reutilizável não irá salvar o mundo. Mas se servir para espalhar a mensagem e para que você continue aprendendo, esta é uma boa razão para continuar utilizando-a.
Governo e empresas do Brasil declaram guerra aos sacos plásticos. E celebram resultados
Em 5 de junho de 2009, no Dia do Meio Ambiente, o Ministério do Meio Ambiente do Brasil lançou a campanha "Saco é um saco", com o objetivo de conscientizar a população sobre os efeitos do uso excessivo de sacos plásticos.
A campanha foi realizada em parceria com redes de supermercado, empresas e instituições que defendem o consumo consciente. O resultado: em 2009, 600 milhões de sacos plásticos deixaram de ser utilizados no país.
Diante do sucesso da iniciativa, a campanha pretende ir ainda mais longe.
Carlos Minc, que deixou o cargo de Ministro do Meio Ambiente em 31 de março para se candidatar a deputado estadual pelo Rio de Janeiro, esteve promovendo a campanha no Rio e comentou que a meta para 2010 é de 1,5 bilhão de sacos. É uma pequena parcela dos 18 bilhões de sacos plásticos consumidos no Brasil anualmente, mas já é um progresso significativo.
Como parte da estratégia da campanha, a rede de supermercados Walmart oferece descontos para pessoas que usam sacolas reutilizáveis em suas compras.
Já o Carrefour foi ainda mais longe e anunciou recentemente que proibirá o uso de sacos plásticos em seus supermercados em quatro anos.
Com ações deste tipo, o Brasil e suas empresas demonstram avanços na prática da sustentabilidade. Apesar de os sacos plásticos não serem os únicos vilões da luta ambiental, a educação para um consumo racional (de qualquer produto) é sempre um passo na direção correta.
Mais sobre a campanha Saco é um Saco:
SacoeUmSaco.com.br








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