Um sábado de condições extremas transformou o SuperSurf Internacional num grande desafio para os surfistas em Xangri-Lá (RS). Mar de ressaca, séries mexidas de até 2,5 metros quebrando atrás da Plataforma de Atlântida, água passando por baixo da arena do evento na praia provocando interrupções, um verdadeiro teste de resistência para todos os envolvidos na etapa inédita do ASP World 5-Star.
Peterson Rosa em ação.
foto: Daniel Smorigo.
O início da rodada dos 48 melhores chegou a ser adiado das 7 para as 8 horas, mas a primeira bateria teve que ser cancelada e só retornou às 10 horas. Apesar das condições mais adversas do dia, as melhores apresentações aconteceram nas primeiras baterias.
Com as interrupções necessárias para garantir a segurança de todos, só foi possível realizar 11 dos 12 confrontos dessa terceira fase. O último ficou para abrir o domingo decisivo do SuperSurf Internacional.
Esta bateria deve entrar no mar às 7 horas e o formato da competição precisou ser modificado para baterias com quatro competidores até a final. A previsão é definir o vencedor do prêmio de US$ 16 mil oferecido ao campeão por volta das 12 horas na praia de Atlântida.
O título também vale 2.000 pontos para o ranking mundial unificado da ASP e para o Sul-americano da ASP South America.
A primeira bateria do sábado de ondas gigantes em Xangri-Lá entrou no mar duas vezes. A primeira foi às 8 horas, mas a dificuldade para os juízes visualizarem a cor das camisetas e identificar os atletas, motivou a comissão técnica a cancelar a bateria.
A competição só foi retomada às 10 horas e o surfista de Fernando de Noronha (PE), Patrick Tamberg, ganhou nota 9,17 num expresso de direita, escalando o paredão três vezes para fazer as manobras no crítico da onda.
“Realmente está bem difícil, não pelo mar e mais pela correnteza porque lá dentro tem altas ondas”, falou Patrick Tamberg, depois da vitória sobre Charlie Brown, Vicente Romero e Felipe Teixeira. Ele também comentou sobre a experiência que viveu logo cedo, quando entrou no mar e a bateria foi cancelada antes da metade dos seus 25 minutos de duração.
"Foi bem complicado, estava dificil mesmo, os juizes não conseguiam distinguir a cor da lycra, quem estava surfando a onda, então acho que eles fizeram certo. O mar agora já está bem diferente, melhorou e a dificuldade maior é a correnteza no outside. Mas o jet está ajudando muito, parabéns aos caras que estão pilotando”, destacou Patrick Tamberg.
Na segunda bateria, o experiente Peterson Rosa, recordista com oito vitórias em etapas da ASP South America, fez um novo recorde para o SuperSurf Internacional de Xangri-Lá. Com notas 8,60 e 8,50 nas duas melhores ondas, o paranaense elevou o maior placar do campeonato pela segunda vez no sábado.
Patrick Tamberg já havia batido a marca de 16,40 pontos com os 16,67 que registrou, mas Peterson Rosa atingiu 17,10 pontos com a sua brilhante atuação.
E o recorde de nota - 9,40 - também quase foi superado pelo paulista Robson Santos na quarta bateria do dia. Ele recebeu nota 9,33 detonando uma direita da série, que acabou sendo a única onda boa que surfou na bateria. Teve que somar uma nota 1,80 e mesmo assim derrotou os baianos Franklin Serpa e Bruno Galini, além do potiguar John Max.
“Só fiquei sabendo aqui fora que a nota foi 9,33”, confessou Robson Santos. “Lá no fundo está bem difícil de achar as ondas. Nessa do high score, Franklin (Serpa) remou, só que fechou pra ele, mas abriu pra mim e tentei fazer a onda até o fim. Estou amarradão que saiu o notão, mas eu passei um sufoco sem saber de nada lá dentro”.
Robson também comentou sobre as difíceis condições do mar no sábado. “O jet está ajudando muito, mas a dificuldade é que eram só dois jets pra quatro atletas, então tem hora que fica bem complicado. Eu mesmo, no final da bateria fiquei tomando ondas na cabeça, chamando o jet, ele não vinha, aí acabei meio que abandonando a disputa. Só aqui fora soube que tinha passado em primeiro. Eu gosto de competir em mar assim, grande, então estou feliz pela classificação”.
Dos quatro estrangeiros que competiram no sábado, apenas o chileno Manuel Selman não avançou para a rodada dos 24 melhores do SuperSurf Internacional no Rio Grande do Sul. O argentino Leandro Usuña e o francês Vincent Duvignac passaram em segundo lugar nas suas baterias. Já o norte-americano Chris Waring venceu a que fechou o verdadeiro desafio do sábado na praia de Atlântida, a mesma que Manuel Selman terminou em último lugar.
As finais deste domingo tem transmissão ao vivo pela ESPN Brasil.
Programação deste domingo
7:00 horas – 12a bateria da terceira fase – Rodada dos 48 melhores
7:25 horas – Quarta fase – Rodada dos 24 melhores
9:55 horas – Quartas de final
11:35 horas – Semifinais
12:40 horas – Grande Final do SuperSurf Internacional
13:15 horas – Cerimônia de Premiação no Pódio
por João Carvalho








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