Surfe nordestino passa a dominar circuito nacional


Jojó de Olivença, Joca Júnior e Fábio Gouveia vêm provando desde a década de 1980 que o Nordeste é um importante celeiro do surfe. Trinta anos depois, a região estabeleceu um domínio sem precedentes no circuito brasileiro. E foi o “descobrimento” por parte dos investidores que permitiu aos nordestinos evoluírem em quantidade e qualidade na elite nacional.


 O paraibano Fábio Gouveia é o exemplo do sucesso nordestino.

“Sempre teve bastante surfista no Nordeste, mas o problema era patrocínio para o pessoal aparecer”, explica o paraibano Fábio Gouveia, bicampeão do WQS e recordista brasileiro em vitórias no WCT, já aposentado.

 Méssias Félix é um belo fruto 
do Circuito Nordestino Profissional
Foto: Lee Rodrigues.

Nas últimas duas edições do circuito brasileiro, o Nordeste emplacou pelo menos cinco surfistas entre os 15 primeiros colocados, incluindo o campeão cearense Messias Félix no ano passado. O último título nordestino antes disso foi em 2002, com o alagoano Tânio Barreto.

Além disso, as duas últimas etapas do circuito brasileiro foram realizadas no Nordeste, e vencidas por atletas locais. O potiguar Alan Jhones faturou o Brasil Pro na Praia do Cupe, e Messias Félix levou a Seletiva Petrobras. Na primeira competição, outros dois semifinalistas eram nordestinos, incluindo o vice-campeão Rudá Carvalho.

Por isso, o Nordeste tem cinco surfistas entre os 15 primeiros do circuito nacional após duas etapas, mantendo o domínio dos últimos anos. Para o atual campeão Messias Félix, foi a vinda de eventos para a região que ajudou os surfistas com menos incentivo a aparecer e despontar.


“Quando o Nordeste conseguiu mostrar o seu valor, as coisas melhoraram. Tem vários atletas que não tem como competir fora, mas se dão bem nas competições que tem aqui, e conseguem fazer dinheiro para competir fora do estado”, avaliou o cearense, que vive até hoje em Fortaleza, contrariando uma antiga tendência apontada por Fábio Gouveia.

“Na minha época, era uma complicação geral, porque muitos nordestinos tinham que se deslocar para o eixo Rio-São Paulo. Era um verdadeiro êxodo. Eu mesmo tinha que me deslocar sempre, passava três ou quatro meses viajando entre Rio, São Paulo e Santa Catarina”, relembra Fábio, que atualmente mora em Florianópolis, por opção.

Já Messias Félix fala com orgulho: “Fui campeão brasileiro e sempre morei aqui em Fortaleza”. Para ele, isso é um reflexo do novo cenário do surfe nordestino: “As marcas estão apoiando mais, e era isso que o Nordeste precisava. Estamos tendo mais oportunidade de aparecer, porque tem marcas até aqui mesmo do Ceará patrocinando”.

Talento, nunca faltou. Enquanto Messias se prepara para uma temporada na Europa para disputar o WQS, o potiguar Jadson André representa o Nordeste no WCT. O que não chega a ser um fenômeno novo. Fábio Gouveia, que começou em 1988, relata que já naquele tempo se falava em “invasão nordestina”.

“Há muito tempo os surfistas do Nordeste vêm se dando bem. Na época que comecei, a gente tinha maior ênfase, porque o eixo era totalmente centralizado no Rio e em São Paulo. Quando começaram a surgir surfistas nordestinos, falou-se muito sobre isso, mas hoje em dia já não é novidade”, concluiu Gouveia.


por redação
fonte: uol.com.br

Postar um comentário

0 Comentários